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		<title>Cena 238 – Jardim de uma casa. Exterior/dia</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Sep 2008 23:26:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vozdecapitu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 9]]></category>

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		<description><![CDATA[(Felipe entra por um portão de grades de ferro, uma escrava fecha o portão. Sofia sai da casa e se aproxima dos dois. A escrava vai para os fundo do quintal, pela lateral. Sofia e Felipe começam a andar pela alameda do jardim conversando. A imagem se aproxima.) Sofia – Tenho certeza de que ficará [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=145&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><em>(Felipe entra por um portão de grades de ferro, uma escrava fecha o portão.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Sofia sai da casa e se aproxima dos dois.<span> </span>A escrava vai para os fundo do</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>quintal, pela lateral.<span> </span>Sofia e Felipe começam a andar pela alameda do</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>jardim conversando.<span> </span>A imagem se aproxima.) </em></p>
<p class="MsoNormal">Sofia – Tenho certeza de que ficará satisfeito e não se arrepen-</p>
<p class="MsoNormal">dera.</p>
<p class="MsoNormal">Felipe – Espero que não.<span> </span>Como já lhe disse,, acho o preço um</p>
<p class="MsoNormal">pouco elevado.</p>
<p class="MsoNormal">Sofia – Mas ela vale.<span> </span>Estou segura de que me dará razão.</p>
<p class="MsoNormal">E com essa proposta que o senhor fez, fica mais em conta&#8230;</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Seguem pela lateral, por onde desaparecera a escrava que fechou o portão.)</em></p>
<p class="MsoNormal">Sofia – <em>(para dentro) </em>– Rosa, Rosa, venha cá!</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Rosa aparece, carrancuda, chorosa, retorcendo as mãos.)</em></p>
<p class="MsoNormal">Sofia – Rosa, minha filha, chega aqui.<span> </span>Tu podes dizer que tens</p>
<p class="MsoNormal">sorte!<span> </span>O senhor aqui precisa de uma ama e veio te buscar.</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Rosa olha, séria.)</em></p>
<p class="MsoNormal">Sofia – Vais para uma boa casa, com um belo jardim, todo os</p>
<p class="MsoNormal">vestidos da senhora, alimentas o menino branco, lindo como</p>
<p class="MsoNormal">um anjo e ao fim ainda recebes, de presente, algum dinhei-</p>
<p class="MsoNormal">ro!<span> </span>Para ti!<span> </span>Não é uma beleza?</p>
<p class="MsoNormal">Rosa<span> </span><em>(chorando)</em> – Por favor, sinhá, não&#8230;<span> </span>Por piedade!</p>
<p class="MsoNormal">Sofia – Mas é uma sorte, Rosa!<span> </span>Devias dar graças a Deus!</p>
<p class="MsoNormal">Felipe – Perdão, mas que deseja ela ainda?<span> </span>Não entendo o que</p>
<p class="MsoNormal">lhe falta.</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Pausa.<span> </span>Armando-se de coragem, Rosa responde com energia.)</em></p>
<p class="MsoNormal">Rosa – E meu filho?<span> </span>Que vai ser dele?<span> </span>Vou ter que abandoná-lo?</p>
<p class="MsoNormal">Sofia – Vamos, vamos!<span> </span>Não há porque discutir as ordens.<span> </span>Vê</p>
<p class="MsoNormal">se não começas agora a criar caso,<span> </span>com teu filho.<span> </span>Sabes mui-</p>
<p class="MsoNormal">to bem que teu senhor tomará conta dele.<span> </span>Vai enviá-lo para</p>
<p class="MsoNormal">o campo, onde nada lhe faltará.</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Rosa se adianta e agarra as mãos de Felipe, abaixando-se, como se pre-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>tendesse se ajoelhar, aos prantos.)</em></p>
<p class="MsoNormal">Rosa – Senhor, por favor, sei que os pretinhos nascidos agora</p>
<p class="MsoNormal">já não são mais escravos.<span> </span>Ninguém tomará conta dele, eu</p>
<p class="MsoNormal">bem sei&#8230;<span> </span>Meu filho é apenas um comilão inútil, uma boca a</p>
<p class="MsoNormal">mais, como bem ouvi meu senhor dizer outro dia.<span> </span>Deixe-o</p>
<p class="MsoNormal">ficar comigo&#8230;<span> </span>Ao menos eu assim o aleito, não lhe custará</p>
<p class="MsoNormal">nada.<span> </span>Deixe-me levá-lo.</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Felipe recua, constrangido, tirando a mão da de Rosa, sem jeito.)</em></p>
<p class="MsoNormal">Felipe – Não sei, se posso prometer.<span> </span>Preciso refletir e con-</p>
<p class="MsoNormal">sultar minha esposa.</p>
<p class="MsoNormal">Rosa – Deus Nosso Senhor não pode aprovar uma separação</p>
<p class="MsoNormal">cruel como essa.<span> </span>Pense no seu menino que acaba de nascer.</p>
<p class="MsoNormal">E se o apartassem dos pais?</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Felipe recua mais, faz meia-volta, dirigi-se ao portão, Sofia o acompa-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>nha, Rosa fica para trás.)</em></p>
<p class="MsoNormal">Sofia – Isso passa&#8230;.<span> </span>Ela é uma moça dócil, não costuma fazer</p>
<p class="MsoNormal">cenas&#8230; Não sei o que houve, talvez efeito do parto&#8230; Ama-</p>
<p class="MsoNormal">nhã já nem se lembra.</p>
<p class="MsoNormal">Felipe – Não sei.<span> </span>Vou pensar, vou pensar.</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Felipe sai pelo portão, despede-se de Sofia tocando o chapéu e sai cami-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>nhando pela rua.)</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>(Corte)</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/vozdecapitu.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/vozdecapitu.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/vozdecapitu.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/vozdecapitu.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/vozdecapitu.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/vozdecapitu.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/vozdecapitu.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/vozdecapitu.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/vozdecapitu.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/vozdecapitu.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/vozdecapitu.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/vozdecapitu.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/vozdecapitu.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/vozdecapitu.wordpress.com/145/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=145&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Capitu</media:title>
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		<title>Cena 237 – Quarto do casal. Interior/dia</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Sep 2008 23:20:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vozdecapitu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 9]]></category>

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		<description><![CDATA[(Casa rica, móveis bons, bacia e salva de prata sobre a cômoda com tampo de mármore. Cecília na cama com recém-nascido nos braços, Felipe senta- do na poltrona ao lado lê o Jornal do Commercio. Abaixa o jornal, olha para Cecília.) Felipe - Mas é o que se faz nesses casos. Não há mistério al- [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=143&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><em>(Casa rica, móveis bons, bacia e salva de prata sobre a cômoda com tampo</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>de mármore.<span> </span>Cecília na cama com recém-nascido nos braços, Felipe senta-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>do na poltrona ao lado lê o Jornal do Commercio.<span> </span>Abaixa o jornal, </em></p>
<p class="MsoNormal"><em>olha para Cecília.)</em></p>
<p class="MsoNormal">Felipe -<span> </span>Mas é o que se faz nesses casos.<span> </span>Não há mistério al-</p>
<p class="MsoNormal">Gum.<span> </span>Tomas-e o jornal, e procura-se na quarta página.<span> </span>É só</p>
<p class="MsoNormal">Escolher.<span> </span>Há amas negras, mulatas e pardas.</p>
<p class="MsoNormal">Cecília – A cor não faz diferença, só desejo é que seja sadia e</p>
<p class="MsoNormal">com leite farto.</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Cecília ajeita a touca do bebê, faz carinho.)</em></p>
<p class="MsoNormal">Felipe – Há aqui uma, num endereço aqui perto.<span> </span>É um pouco</p>
<p class="MsoNormal">caro, mas parece ter boas garantias.<span> </span>Os senhores são gente</p>
<p class="MsoNormal">respeitável e de posses, deve estar bem tratada&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Cecília -<span> </span>Se for demasiado caro, podes propor-lhes um acor-</p>
<p class="MsoNormal">do, eu mesma dou o enxoval da ama.<span> </span>Dou-lhe meus vesti-</p>
<p class="MsoNormal">dos que não me cabem mais.<span> </span>Alguns estão como novos.</p>
<p class="MsoNormal">Então tu passas lá mais tarde?</p>
<p class="MsoNormal">Felipe – Agora mesmo.</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Felipe se levanta, dobra o jornal, dá um beijo na testa de Cecília e sai do</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>quarto.)</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>(Corte)</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/vozdecapitu.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/vozdecapitu.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/vozdecapitu.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/vozdecapitu.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/vozdecapitu.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/vozdecapitu.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/vozdecapitu.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/vozdecapitu.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/vozdecapitu.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/vozdecapitu.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/vozdecapitu.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/vozdecapitu.wordpress.com/143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/vozdecapitu.wordpress.com/143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/vozdecapitu.wordpress.com/143/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=143&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Cena 236 – Cozinha de casa, Séc. XIX. Interior/dia</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Sep 2008 01:17:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vozdecapitu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 9]]></category>

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		<description><![CDATA[(Várias escravas passam de um lado para outro, carregando tachos, pane- las, cestos. Sabina, um pouco mais velha, em volta de um fogão a lenha mexe um panelão. A escrava Maria, sentada num banco junto à mesa., Com uma bacia no colo, depena um frango. A seu lado Rosa, muito boni- ta, grávida, cata feijão, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=138&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><em>(Várias escravas passam de um lado para outro, carregando tachos, pane-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>las, cestos.<span> </span>Sabina, um pouco mais velha, em volta de um fogão a lenha</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>mexe um panelão.<span> </span>A escrava Maria, sentada num banco junto à mesa., </em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Com uma bacia no colo, depena um frango.<span> </span>A seu lado Rosa, muito boni-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>ta, grávida, cata feijão, espalhando-o sobre a mesa.)</em></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Prudência <em>(entrando com um cesto pesado, carregado de inhame e ai-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>pim) </em>– Me ajuda aqui, Rosa.</p>
<p class="MsoNormal">Sabina – Deixa isso, Prudência.<span> </span>Tu não sabe que sinhá disse</p>
<p class="MsoNormal">que não quer que ela abuse?<span> </span>A Rosa só pode fazer trabalho</p>
<p class="MsoNormal">leve, agora que está prenha&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Rosa <em>(superior)</em> – É&#8230; Eu não posso me cansar&#8230;</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Sabina interrompe o gesto de mexer a<span> </span>panela, prova a comida, apóia a</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>colher de pau na beirada do panelão e vai ajudar Prudência a carrgar o</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>cesto).</em></p>
<p class="MsoNormal">Prudência<em> (para Rosa)</em> – E tu tá achando que é porque ela está</p>
<p class="MsoNormal">muito preocupada com a tua saúde?<span> </span>É só pra te alugar me-</p>
<p class="MsoNormal">lhor depois.</p>
<p class="MsoNormal">Sabina – E sinhá tem mesmo que pensar nisso.<span> </span>Uma ama-de-</p>
<p class="MsoNormal">leite rende muito mais que uma engomadeira, uma cozinheira</p>
<p class="MsoNormal">ou uma mucama.<span> </span>Por isso é que tem que estar bem tratata.</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Sabina e Prudência levam o cesto até a outra ponta da mesa, vão esva-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>ziando, pondo as raízes em cima da mesa, e falando.)</em></p>
<p class="MsoNormal">Prudência – mas descascar isso aqui, tu pode, não pode?<span> </span>Ou</p>
<p class="MsoNormal">não quer sujar a roupa?</p>
<p class="MsoNormal">Maria<em> (levantando os olhos da ave que depena) </em>– Deixe de arreliar a</p>
<p class="MsoNormal">Rosa.<span> </span>Até parece que tu num sabe que sinhá Sofia vai cobrir</p>
<p class="MsoNormal">ela de roupa nova quando esse moleque nascer.<span> </span>Não lembra</p>
<p class="MsoNormal">como ela fez com Encarnação?<span> </span>Deu as roupas velhas to-</p>
<p class="MsoNormal">das para gente, mandou destruir as camisas que ela usou no</p>
<p class="MsoNormal">parto e aí foi só enxoval novo, tudo bem-feitinho, com ren-</p>
<p class="MsoNormal">da e tudo.</p>
<p class="MsoNormal">Prudêcia – Rendinha à-tôa, ordinária, mas renda&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Encarnação – E vestido de seis babados, um sonho&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Prudência – Só pra ostentar o luxo da casa, isso sim.</p>
<p class="MsoNormal">Rosa <em>(se levantando e rodando, faceira, pela cozinha)</em> – Pois eu vou</p>
<p class="MsoNormal">querer vestido de oito babados&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Sabina – Pois sim&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Rosa <em>(sentando de novo)</em> – E como eu tenho boa aparência, vão</p>
<p class="MsoNormal">me alugar com muito lucro.<span> </span>Vai ser uma honra.<span> </span>Vou para</p>
<p class="MsoNormal">uma boa casa, de roupara nova, andar com gente rica, e todo</p>
<p class="MsoNormal">mundo vai ter que tratar bem, que é pro meu leite não</p>
<p class="MsoNormal">secar&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Sabina – Enquanto durar, né&#8230;</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Rosa termina de recolher o feijão catado e afasta a vasilha).</em></p>
<p class="MsoNormal">Rosa – Mas enquanto durar, aproveito.<span> </span>Todo mundo vai fazer</p>
<p class="MsoNormal">minhas vontades. <span> </span>As cozinheiras, mucamas e engomadeiras</p>
<p class="MsoNormal">vão ter que me obedecer.<span> </span>E vou ficar uns três anos sem precisar</p>
<p class="MsoNormal">fazer nada.<span> </span>Só descansar e comer, para ter bastante leite.</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Sabina põe junto a Rosa uma gamela com as raízes e lhe entrega uma</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>faca.<span> </span>Pega outra, senta ao lado e começa a descascar o aipim. Vai falando.)</em></p>
<p class="MsoNormal">Sabina – Até acabar&#8230; Depois volta, para cá, igualzinha a nós.</p>
<p class="MsoNormal">Cai lá de cima do luxo para a miséria de sempre.</p>
<p class="MsoNormal">Rosa – Mas depois vai ser só um tempinho, porque num ins-</p>
<p class="MsoNormal">tante eu arranjo outro filho.<span> </span>Graças a Deus que não sou um</p>
<p class="MsoNormal">estrepe que nem umas e outras, uma feiúra dessas que até</p>
<p class="MsoNormal">parecem assombração.<span> </span>E vou passar a vida nos sorrisos.</p>
<p class="MsoNormal">Prudência – Vira para lá essa boca, menina.<span> </span>Logo se vê que tu</p>
<p class="MsoNormal">não tem juízo nem sabe das coisas da vida.<span> </span>Tu vai é amaldi-</p>
<p class="MsoNormal">çoar o dia em que ficou prenha, isso sim.</p>
<p class="MsoNormal">Rosa (com ar superior) – Pois isso eu duvido.</p>
<p class="MsoNormal"><em>(Corte)</em></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/vozdecapitu.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/vozdecapitu.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/vozdecapitu.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/vozdecapitu.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/vozdecapitu.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/vozdecapitu.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/vozdecapitu.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/vozdecapitu.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/vozdecapitu.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/vozdecapitu.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/vozdecapitu.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/vozdecapitu.wordpress.com/138/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/vozdecapitu.wordpress.com/138/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/vozdecapitu.wordpress.com/138/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=138&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A carta de Lina</title>
		<link>http://vozdecapitu.wordpress.com/2008/09/22/carta-lina/</link>
		<comments>http://vozdecapitu.wordpress.com/2008/09/22/carta-lina/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2008 01:11:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vozdecapitu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 16]]></category>

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		<description><![CDATA[Vevey, 28 de março de 1911. Minha querida amiga Sancha, Bem imagino tua incredulidade ao receber esta carta.  Segura- mente me tens por morta e enterrada há mais de vinte anos. E subitamente te escrevo, da Europa, sem nem ao menos sa- ber se está viva ou se esta carta, afinal, te chega às mãos, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=88&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Vevey, 28 de março de 1911.</em></p>
<p><em>Minha querida amiga Sancha,</em></p>
<p><em>Bem imagino tua incredulidade ao receber esta carta.  Segura-</em></p>
<p><em>mente me tens por morta e enterrada há mais de vinte anos.</em></p>
<p><em>E subitamente te escrevo, da Europa, sem nem ao menos sa-</em></p>
<p><em>ber se está viva ou se esta carta, afinal, te chega às mãos, visto</em></p>
<p><em>que o único endereço que tenho é o de teus parentes no Paraná.</em></p>
<p><em>Haveria tanto a dizer-te, sobre todas as cousas que se passa-</em></p>
<p><em>ram nestes quarenta anos, contados dia a dia, desde a trágica</em></p>
<p><em>manhã em que a catástrofe te trouxe a viuvez e deixou tua</em></p>
<p><em>filhinha na orfandade.  Inúmeras vezes compus este relato men-</em></p>
<p><em>talmente, mas outras tantas o deixeis de lado sem saber por</em></p>
<p><em>onde começar, nem que palavras usar para dar conta das ra-</em></p>
<p><em>zões que me moveram.</em></p>
<p><em>Sei agora que tenho pouco tempo e não me cabe mais adiar.</em></p>
<p><em>Deixo ordens expressas para que este envelope te seja enviado</em></p>
<p><em>após meu falecimento, que segundo o médico não deve tardar</em></p>
<p><em>muito.  Sei, assim, que teu olhar só estará percorrendo estas</em></p>
<p><em>linhas quando haverá mais resposta possível neste mundo.</em></p>
<p><em>As lembranças e emoções que deito ao papel não têm mais o</em></p>
<p><em>poder de mudar o curso dos acontecimentos.  Meu gesto serve</em></p>
<p><em>apenas para trazer-me, a mim, um pouco de paz.  E talvez</em></p>
<p><em>também a ti, garantindo-te a certeza de que não guardei res-</em></p>
<p><em>sentimentos de ti (sim, eu sabia, vi os olhares entre ti e meu</em></p>
<p><em>marido).</em></p>
<p><em>Antes de ir-me, gostaria de despedir-me de minha tão cara</em></p>
<p><em>amiga de infância e de te dizer que só agora parto, aos 68</em></p>
<p><em>anos de idade, do outro lado do oceano, levando entre minhas</em></p>
<p><em>melhores lembranças desta vida a precisosa amizade que nos</em></p>
<p><em>fez compartir momentos de alegria e de dor, mas que não foi</em></p>
<p><em>capaz de me fazer escolher a total sinceridade para contigo</em></p>
<p><em>nestes quase quarenta anos em que a vida me arrancou de</em></p>
<p><em>nossa cidade luminosa, beijada e batida pelo mar e em trans-</em></p>
<p><em>plantou para estas montanhas, onde me deixou encerrada e</em></p>
<p><em>sem horizonte.</em></p>
<p><em>Ao leres o ocorrido, na certa entenderás que era impossível</em></p>
<p><em>que eu me dirigisse a ti sem te magoar ainda mais.  Só por isso</em></p>
<p><em>não o fiz, apesar de todas as saudades e doces memórias.  Ago-</em></p>
<p><em>ra, porém, a verdade é um dever.  Espero que me compreendas,</em></p>
<p><em>me perdoes como te perdoei, e rezes por mim, intercendo ao</em></p>
<p><em>Padre Eterno por esta pobre alma a quem muito poderá ser</em></p>
<p><em>perdoado porque muito amou, segundo promete a Escritura.</em></p>
<p><em>Acompanha esta carta um caderno de receitas que mamãe me</em></p>
<p><em>deu pouco depois de sairmos do colégio, e no qual nunca mais</em></p>
<p><em>escrevi desde a manhã em que ficaste viúva, quando nele fizera</em></p>
<p><em>as últimas anotações, antes de saber da tragédia.  Verás que</em></p>
<p><em>ao longo do tempo, além de nele copiar receitas de cozinha e</em></p>
<p><em>maneiras de fazer modelos de tricot e crochet, de quando</em></p>
<p><em>em quando depositei em suas páginas registros de meu estado</em></p>
<p><em>de espírito.  Por vezes foi ele meu único amigo confiável, naque-</em></p>
<p><em>les momentos que bem conheces, em que nossa condição de</em></p>
<p><em>mulher nos obriga a agir com descrição e cautela, por vezes até</em></p>
<p><em>com dissimulação.</em></p>
<p><em>Sugiro que interrompas aqui a leitura desta carta e folheies as</em></p>
<p><em>páginas do caderno &#8211; cujas receitas, se desejares, poderão</em></p>
<p><em>depois ser passadas a tua filha, par que não se perca inteira-</em></p>
<p><em>mente o saber de alguns sabores.  Não precisas dizer-lhe que o</em></p>
<p><em>caderno pertenceu a sua madrinha.  Deixe-a na ilusão de que</em></p>
<p><em>morri há muito tempo.  Como verás, nem mesmo meu nome</em></p>
<p><em>está mais na primeira página dos escritos.  Há certas memó-</em></p>
<p><em>rias que, se ajudarmos, até Deus esquece.</em></p>
<p><em>Com a leitura, poderá acompanhar o que me ia na alma.</em></p>
<p><em>Confirmarás quanto eu sempre amei meu marido e como entre</em></p>
<p><em>nós duas nunca houvera antes daquela fatídica noite cousa</em></p>
<p><em>alguma que maculasse nossas simpatias, nossa maizade come-</em></p>
<p><em>çada no colégio, continuada e nunca interrompida até que um</em></p>
<p><em>lance da fortuna fez separar para sempre duas criaturas que</em></p>
<p><em>prometiam ficar por muito tempo unidas.</em></p>
<p><em>O que se seguiu à descoberta daquela noite, e que nem imagi-</em></p>
<p><em>nas, tratarei de contar-te resumidamente.</em></p>
<p><em>Na manhã seguinte, aturdida e abatida, escrevi aquelas notas</em></p>
<p><em>em meu caderno e depois fui à missa com prima Justina.</em></p>
<p><em>Ao regressar, soube que Santiago fora chamado às pressas à</em></p>
<p><em>tua casa, porque teu marido se afogara.  Não pude deixar de</em></p>
<p><em>recordar, imediatamente, que ainda na véspera eu pensara em</em></p>
<p><em>sua morte, e na minha também.  Igualmente pensara na tua</em></p>
<p><em>morte e na de meu marido, cheguei a pedir aos céus que elas se</em></p>
<p><em>abatessem, tão ferida e dilacerada me encontrave eu com a</em></p>
<p><em>descoberta da traição.  Devido à lembrança dessas orações re-</em></p>
<p><em>centes, sentia-me como se meus pensamentos houvessem provo-</em></p>
<p><em>cado a tragédia, como se a morte dele, tua viuzez e a orfandade</em></p>
<p><em>de minha afilhada tivessem como causa única meus desejos</em></p>
<p><em>secretos.  Ao chegar a hora da encomendação e da partida do</em></p>
<p><em>corpo, teu desespero foi muito além do que eu podia suportar.</em></p>
<p><em>A olhar fixamente o cadáver, supliquei com todas as minhas</em></p>
<p><em>forças que ele me levasse consigo, pensei em lançar-me ao mes-</em></p>
<p><em>mo mar que o levara e que agora me atraía, como se a única</em></p>
<p><em>maneira de finda meu sofrimento fosse ser tragada pela mes-</em></p>
<p><em>ma ressaca que o arrebatara e aindabramia diante da casa.</em></p>
<p><em>Nos dias e semanas seguintes, ajudei-te como pude a arrumar</em></p>
<p><em>tuas cousas e preparar tua mudança para o Paraná.  Por vezes</em></p>
<p><em>desejava falar-te, contar que eu vira os olhares trocados por ti</em></p>
<p><em>e  Santiago.  Outras vezes, desejava confessar-te que a morte</em></p>
<p><em>que te atingiu fora invocada por mim.  Não ouseis.  E depois de</em></p>
<p><em>tua partida, continuamos nos escrevendo com se nada hou-</em></p>
<p><em>vesse mudado em nossa amizade.  De minha parte, essa cor-</em></p>
<p><em>respondência constituiu uma mentira e uma falsidade que sem-</em></p>
<p><em>pre me molestaram muito e só agora clareio.</em></p>
<p><em>Nessas cartas, outra coisa que te ocultei foi o motivo que me</em></p>
<p><em>fez vir para a Europa com meu filho.  Eu já havia proposto</em></p>
<p><em>antes a Santiago essa viagem, ou uma temporada em Petrópo-</em></p>
<p><em>lis.  Sofrendo de melancolia nessa ocasião, ele vivia clado e</em></p>
<p><em>aborrecido.  Dizia que os negócios andavam mal.  Propous-lhe</em></p>
<p><em>vender as jóias e os objetos de algum valor, até que tornassem</em></p>
<p><em>a andar bem.  Respondeu-me secamente que era preciso</em></p>
<p><em>vender nada, pegou do chapéu e saiu.  Então vivia assim, sem-</em></p>
<p><em>pre irritado.  Com o pequeno, ainda mais do que comigo, se tal</em></p>
<p><em>era possível.  Evitava-o quanto podia, respondia com aspereza</em></p>
<p><em>a suas perguntas, fazia-o chorar a todo mento.  Para ver se</em></p>
<p><em>melhoravam as cousas, propus meter o menino ao colégio, de</em></p>
<p><em>onde só viria aos sábados.  Pois crês que nesse dia, o pai saía,</em></p>
<p><em>buscava não jantar em casa e só entrava quando ele estava</em></p>
<p><em>dormindo?  Aos domingos, trancava-se no gabinete ou saía</em></p>
<p><em>outra vez.  Quando acaso se encontravam, era doloroso consta-</em></p>
<p><em>tar o contraste entre o menino, alegre, turbulento, expansivo,</em></p>
<p><em>cheio de riso e de amor, e a evidente aversão que lhe tinha o pai</em></p>
<p><em>e que já não podia disfarçar.  Como não disfarçava o horror</em></p>
<p><em>que minha presença lhe causava.</em></p>
<p><em>Houve, porém um sábado em que se encontraram.  Não sei o</em></p>
<p><em>que houvera antes, mas logo antes de sairmos para a missa, o</em></p>
<p><em>menino entrou correndo no gabinete do pai, chamando-o com</em></p>
<p><em>sua alegria de sempre, querendo beijá-lo.  Fui atrás, devagar, e</em></p>
<p><em>cheguei a tempo de ver Santiago forçando o filho a tomar uma</em></p>
<p><em>xícara de café, a ponto de empurrá-lo pela goela abaixo da</em></p>
<p><em>criança.  Como o pequeno não quisesse, o pai insistia.  Mas</em></p>
<p><em>depois mudou de idéia de repente, recuou, começou a beijar</em></p>
<p><em>doudamente a cabecinha dele e a exclamar que não pai</em></p>
<p><em>dele.  Ouvindo isso, decidi interfereir.  Entrei no gabinete, disse</em></p>
<p><em>ao menino que saísse.</em></p>
<p><em>Pedi explicações daquela cena e das lágrimas dos dois.  Ele</em></p>
<p><em>repetiu que não era o pai do menino.  Estupefata e indignada</em></p>
<p><em>com tamanha injúria, pensei que não resistiria à dor.  Mas</em></p>
<p><em>quis saber de onde vinha tal convicção, insisti para que falasse</em></p>
<p><em>tudo, teimei para que fosse sincero, a fim de que eu soubesse do</em></p>
<p><em>que estava sendo acusada e pudesse me defender.  Acabei por</em></p>
<p><em>lhe dizer que, se não achava que houvesse defesa possível, eu</em></p>
<p><em>lhe pedia nossa separação.  Já não podia mais!</em></p>
<p><em>Minha querida Sancha, tanto tempo se passou, tantas dores</em></p>
<p><em>se somaram a essa, e meu coração ainda se confrange ao recor-</em></p>
<p><em>dar esses instantes que eu não acreditava estar vivendo, mas</em></p>
<p><em>cuja realidade o próprio tempo se encarregou de confirmar.</em></p>
<p><em>Pois Santiago passou então a acusar-me de ter tido meu filho</em></p>
<p><em>com teu marido!<span> </span>Era demais! Até os defuntos! Nem os mortos</em></p>
<p><em>escapavam aos seus ciúmes!</em></p>
<p><em>Eu sabia a razão da acusação.<span> </span>Era a casualidade da seme-</em></p>
<p><em>lhança.<span> </span>Como se não as houvesse na natureza&#8230; Seguramente</em></p>
<p><em>te recordas de que teu pai mesmo gostava de mostrar como eu</em></p>
<p><em>era parecida com o retrato de tua mãe que pendia na parede</em></p>
<p><em>da sala.<span> </span>Lembra-me sua insistência em mostrar como nossas</em></p>
<p><em>feições eram semelhantes, a testa principalmente e os olhos.</em></p>
<p><em>Dizia até que nosso gênio era um só, parecíamos irmãs.<span> </span>Por</em></p>
<p><em>Isso, tu e eu seríamos tão amigas&#8230;</em></p>
<p><em>De qualquer modo, a convicção de meu marido era sincera.</em></p>
<p><em>De nada me valeria argumentar.<span> </span>Nem eu o desejava.<span> </span>Não se</em></p>
<p><em>tratava mais da pessoa por quem me apaixonara ainda meni-</em></p>
<p><em>na e com quem eu desejara compartilhar toda a vida.<span> </span>Desde</em></p>
<p><em>então, dentro de mim, passei a chamá-lo pelo sobrenome, como</em></p>
<p><em>se tratasse de outro homem.<span> </span>Talvez fosse essa uma derradei-</em></p>
<p><em>ra tentativa terna de preservar o apelido familiar para o me-</em></p>
<p><em>nino que fora meu companheiro de folguedos, o rapaz que por</em></p>
<p><em>tantos anos eu esperava, o homem dos primeiros tempos do</em></p>
<p><em>casamento, que me deu tanta felicidade.<span> </span>Feliz como um passa-</em></p>
<p><em>rinho que saiu da gaiola, dizia ele.<span> </span>Mal suspeitava eu que</em></p>
<p><em>saíra apenas para dentro de um quarto cheio de espelhos, que</em></p>
<p><em>me fazia supor estar entre as árvores e o céu aberto mas se</em></p>
<p><em>limitava a me prender, num vertiginoso jogo de ilusões que se</em></p>
<p><em>repetiam ao infinito.</em></p>
<p><em>Fui à igreja, confiei a Deus todas as minhas amarguras, na</em></p>
<p><em>esperança de que Sua vontade um dia explicaria tudo, se as-</em></p>
<p><em>sim o desejasse.<span> </span>Trouxe comigo a certeza de que a separação</em></p>
<p><em>era indispensável.<span> </span>Eu não poderia conviver com tão infamante</em></p>
<p><em>suspeita.<span> </span>De regresso, ao limpar a bandeja na cozinha, derra-</em></p>
<p><em>mei o café frio da xícara na cuia que servia de caneca ao</em></p>
<p><em>papagaio.<span> </span>A ave tomou e morreu.<span> </span>A bebida que Santiago</em></p>
<p><em>forçava pela goela abaixo de nosso filho estava envenenada.</em></p>
<p><em>Mais uma vez dissimulado, Santiago não quis que soubessem</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>de nossa separação.<span> </span>Preferiu fazer algo diverso.<span> </span>Embarcamos</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>num paquete como se fôramos de passeio para a Europa, numa</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>viagem em que meus tormentos só não acabaram comigo de</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>uma vez porque eu sabia que tinha que me fazer forte, pelo</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>meu filho.<span> </span>Era meu único consolo.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>A bordo, conhecemos uma professora do Rio Grande, de quem</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>me fiz amiga.<span> </span>Chamara-se Eugênia.<span> </span>Acabou vindo conosco</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>para a Suíça, e depois que Santiago tornou ao Brasil, ficou</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>ensinando a língua materna a meu filho e me fazendo compa-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>nhia.<span> </span>Gostarias de conhecê-la, Sancha.<span> </span>Conversaríamos mui-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>to, as três.<span> </span>Sendo uma pessoa que desde cedo teve que traba-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>lhar arduamente para ganhar seu sustento, Eugênia tinha um</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>entendimento diferente das cousas do mundo, que me foi de</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>muita valia.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Ao cabo de alguns meses, convenci-me de que Santiago só</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>podia estar doente, para ter imaginado uma cousa daquelas.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Talvez algum dia pudesse curar-se daquela enfermidade.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>E entendi que meu filho seria mais feliz se soubesse que seu</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>pai o queria.<span> </span>No afã de tentar assegurar ao menos um pouco</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>dessa afeição, comecei a escrever carta a Santiago.<span> </span>Respondia-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>me com brevidade e sequidão.<span> </span>Eu procurava mostrar-me cor-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>data, até submissa, afetuosa – por vezes até me permitia</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>revelar-me sinceramente saudosa.<span> </span>Mas de nada adiantou.<span> </span>Por</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>uma antiga vizinha de nossa casa na Glória, que encontrei</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>casualmente em Lausanne, soube que Santiago vinha algu-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>mas vezes à Europa e voltava com notícias minhas, como se</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>acabasse de viver comigo.<span> </span>Mas a verdade é que nunca me pro-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>curou.<span> </span>Mais uma dissimulação, entre tantas&#8230;</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Decidi também simular.<span> </span>Já que estava mesmo vivendo uma</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>nova vida decretei para mim mesma a morte daquela moça</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>alegre e feliz que gostava de bailes no Rio de Janeiro e levava</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>uma vida tão mais leve.<span> </span>Abandonei meu apelido de menina e</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>passei a me apresentar como Lina, usando a outra metade de</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>meu nome.<span> </span>Mas sou Lina apenas para os poucos amigos ínti-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>mos.<span> </span>Todos me conhecem mesmo é como Madame Santiago.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Com a ajuda de Eugênia, encontrei um posto de trabalho</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>numa pensão para estrangeiros.<span> </span>De início, como ajudante de</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>cozinha, depois como camareira.<span> </span>Aos poucos, passei a gover-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>nanta.<span> </span>Era uma solução que garantia casa e comida para</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>mim e o menino, permitindo-me que não tocasse no dinheiro</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>que Santiago ocasionalmente enviava.<span> </span>Deixava-o como ga-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>rantia para imprevistos.<span> </span>Dos meus próprios ganhos, custeava</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>a educação de meu filho.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Quando ele completou os estudos, quis muito voltar ao Brasil</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>e ver o pai.<span> </span>Eu não tinha como impedi-lo, nem podia contar-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>lhe<span> </span>os verdadeiros motivos da separação.<span> </span>Além do mais, con-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>fesso que tinha alguma esperança de que esse encontro servisse</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>para que Santiago reconhecesse como fora injusto com ele.<span> </span>Com</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>o passar dos anos, as semelhanças de meu filho com teu mari-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>do tinham se atenuado enormemente.<span> </span>Bastava ver como o ra-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>paz era bem mais baixo, menos cheio de corpo, e como todas</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>as suas cores eram diversas, vivas.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>De minha parte, porém, eu não desejava mais contato algum</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>com Santiago.<span> </span>Para mim, estava morto.<span> </span>Como eu para ele.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Impus, então uma condição para que meu filho retornasse ao</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Brasil.<span> </span>Primeiro, ele escreveria ao pai, contando que eu estava</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>morta e enterrada.<span> </span>Não faria mesmo diferença para ninguém,</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>já que eu não tinha mais família e havia anos não trocava</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>notícias contigo, minha única amiga.<span> </span>Ninguém sofreria com</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>essa mentira.<span> </span>Em seguida, ele embarcaria para o  Brasil, tra-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>jando luto, e procuraria o pai.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Assim foi feito.<span> </span>Não sei como se passou o encontro, meu filho</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>em suas cartas não me contou miudezas.<span> </span>Mas deve ter sido</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>bom, pois o pai concordou, ao cabo de alguns meses, em pagar-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>lhe uma expedição arqueológica à Grécia, ao Egito e à Pales-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>tina, em companhia de dous amigos da universidade.<span> </span>Quando</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>a viagem científica termisasse, ele viria à Suíça encontrar-me.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Nunca veio.<span> </span>Restava-me passar pela dor suprema em minha</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>vida de tantas dores:<span> </span>a febre tifóide o levou.<span> </span>Enterraram-no</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>na Terra Santa.<span> </span>Os amigos depois vieram visitar-me, trazen-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>do um desenho da sepultura.<span> </span>Foi um cruel imprevisto contra o</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>qual nada póde fazer aquela quantia que eu reservara para</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>enfrentar vicissitudes inesperadas.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Por essa época, a dona da pensão resolveu retirar-se dos negó-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>cios.<span> </span>Eugênia achou que seria de bom alvitre que eu utilizasse</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>o que poupara e mais o dinheiro reservado, para garantir a</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>continuidade de meu sustento e me preparasse para poder ter</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>uma certa tranqüilidade na velhice.<span> </span>Fez-me ver, também, que</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>um desafia novo nesse momento me ajudaria a levantar-me do</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>desespero em que estava mergulhada com a morte de meu fi-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>lho.<span> </span>Sentia-me como um fantasma, pairando na irrealidade,</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>roubada de meu futuro, amputada de meu passado, sem vín-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>culos com meu país, minha cidade, minha gente, desprovida</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>até de meu próprio nome.<span> </span>Deixando-me guiar pelos conselhos</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>de Eugênia, comprei então a pensão, onde venho trabalhando</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>até este final dos dias desta minha segunda vida.<span> </span>Foi uma boa</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>decisão, que me forneceu os meios de sobreviver materialmente</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>e muito fez por mim ao me impor a necessidade de ocupar-me</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>com um mundo exterior a meu tormentos.</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Inúmeras vezes me lembro de ti e sinto falta de tua presença</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>amiga.<span> </span>Rezo por ti com freqüência, pedindo a Deus que te-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>nhas igualmente podido ter uma nova vida com menos infortú-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>nios, e que a lembrança dos dias da juventude te ajude na</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>velhice.<span> </span>Que estejas bem, minha amiga, e que nos encontremos</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>no Senhor.<span> </span>E que Ele tenha piedade de uma mulher que, se</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>um dia teve a audácia de crer que poderia se valer da reflexão</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>e das idéias para convencer um rapaz a ir contra as ordens da</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>mãe, os planos da família e desrespeitar uma promessa feita a</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>Deus, fê-lo apenas por amor, seguindo os ditames de seu cora-</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>ção, e na esperança de ser feliz.</em></p>
<p><em>Tua<br />
Maria Capitolina</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/vozdecapitu.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/vozdecapitu.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/vozdecapitu.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/vozdecapitu.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/vozdecapitu.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/vozdecapitu.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/vozdecapitu.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/vozdecapitu.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/vozdecapitu.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/vozdecapitu.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/vozdecapitu.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/vozdecapitu.wordpress.com/88/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/vozdecapitu.wordpress.com/88/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/vozdecapitu.wordpress.com/88/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=88&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Santiago e Sancha?!</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 01:04:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vozdecapitu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 12]]></category>

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		<description><![CDATA[1871 Fomos passar a noite no Flamengo, os dois casais e mais o José e a prima.  Sucedeu uma coisa que me pareceu muito grave. Vou refletir sobre ela e depois decidirei o que fazer.  Não tenho com quem discutir o ocorrido, visto que envolve meu marido e minha melhor amiga.  Por isso, após uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=86&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>1871<br />
</em></p>
<p><em>Fomos passar a noite no Flamengo, os dois casais e mais o José</em></p>
<p><em>e a prima.  Sucedeu uma coisa que me pareceu muito grave.</em></p>
<p><em>Vou refletir sobre ela e depois decidirei o que fazer.  Não</em></p>
<p><em>tenho com quem discutir o ocorrido, visto que envolve meu</em></p>
<p><em>marido e minha melhor amiga.  Por isso, após uma noite sem</em></p>
<p><em>sono e antes de seguir para minhas orações na missa das nove,</em></p>
<p><em>recorro agora a estas páginas, único desabafo possível.  Não</em></p>
<p><em>tenho dúvidas do que vi ontem &#8211; os segredos ao canto da</em></p>
<p><em>janela, os suspiros, os olhares a se buscar durante toda a noite</em></p>
<p><em>(ele à janela, ela ao pé do piano), o gesto de Santiago a ponto</em></p>
<p><em>de beijar a testa de Sancha quando os surpreendi, o modo</em></p>
<p><em>como ele mirava seus braços, a despedida lâmguida, num aper-</em></p>
<p><em>to de mão demorado e esquecido&#8230;  Não foram intrigas, nin-</em></p>
<p><em>guém me contou.  Eu mesma vi, de repente.  Não sei há quanto</em></p>
<p><em>tempo isso ocorre, sem que eu visse ou suspeitasse.  Meu</em></p>
<p><em>coração ficou tumultuado como os vagalhões do mar bravio ba-</em></p>
<p><em>tendo lá fora.  Não sei que fazer, se finjo que nada sei, se busco</em></p>
<p><em>uma explicação com um deles ou com ambos.  Ou se tento falar</em></p>
<p><em>com o marido dela, talvez.  Quem sabe, se ambos morrêssemos,</em></p>
<p><em>os outros dois consolariam a viuzez dupla nos braços um do</em></p>
<p><em>outro&#8230;  No momento, só logro sentir.  Raiva, desespero.  Von-</em></p>
<p><em>tade de matar, de morrer.  Nem sei como consegui voltar para</em></p>
<p><em>casa conversando com a prima, pela praia, enquanto o mar</em></p>
<p><em>rugia zangado.  Menos furioso que meu peito.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/vozdecapitu.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/vozdecapitu.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/vozdecapitu.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/vozdecapitu.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/vozdecapitu.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/vozdecapitu.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/vozdecapitu.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/vozdecapitu.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/vozdecapitu.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/vozdecapitu.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/vozdecapitu.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/vozdecapitu.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/vozdecapitu.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/vozdecapitu.wordpress.com/86/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=86&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A viajem</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 00:56:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vozdecapitu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 12]]></category>

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		<description><![CDATA[Este é um dos pratos que mais gosto de fazer quanto Sancha vem cá em casa com o marido.  Não demanda muito trabalho anterior e todos apreciam bastante.  Além disso, é uma carne que fica muito saborosa se servida fria, o que é muito conve- ninente para quando ficamos conversando até tarde e desejamos comer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=84&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este é um dos pratos que mais gosto de fazer quanto Sancha</em></p>
<p><em>vem cá em casa com o marido.  Não demanda muito trabalho</em></p>
<p><em>anterior e todos apreciam bastante.  Além disso, é uma carne</em></p>
<p><em>que fica muito saborosa se servida fria, o que é muito conve-</em></p>
<p><em>ninente para quando ficamos conversando até tarde e desejamos</em></p>
<p><em>comer algo novamente antes que eles se despeçam para sair.</em></p>
<p><em>Pelo menos, agora, estamos todos morando perto.  E cada vez</em></p>
<p><em>nos freqüentamos mais.  Esta amizade entre os quatro é uma</em></p>
<p><em>de nossas alegrias.  Hoje Sancha veio com uma idéia que teve o</em></p>
<p><em>marido e me pareceu muito interessante: por que não nos pre-</em></p>
<p><em>paramos para viajarmos à Europa juntos, os quatro?  Talvez</em></p>
<p><em>no ano que vem, ou quando seja possível.  Mas pediu-me muito</em></p>
<p><em>segredo, porque ele mesmo deseja abordar o assunto com San-</em></p>
<p><em>tiago, quando lhe parecer que é o momento azado.  Até lá,</em></p>
<p><em>nada digo.  Mas má me vejo fazendo planos.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/vozdecapitu.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/vozdecapitu.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/vozdecapitu.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/vozdecapitu.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/vozdecapitu.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/vozdecapitu.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/vozdecapitu.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/vozdecapitu.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/vozdecapitu.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/vozdecapitu.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/vozdecapitu.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/vozdecapitu.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/vozdecapitu.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/vozdecapitu.wordpress.com/84/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=84&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O ciúme</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 00:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vozdecapitu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 12]]></category>

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		<description><![CDATA[1870 Este bolo fica ainda melhor feito de véspera, pois se apura nele o gosto das especiarias e frutas cristalizadas.  Também o vinho madeira na massa recende melhor depois de alguns dias. San- tiago deliciou-se uma nooite dessas ao comê-lo com café, bem tarde, depois de ter ficado estudando e lendo até altas horas. Tem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=82&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>1870<br />
</em></p>
<p><em>Este bolo fica ainda melhor feito de véspera, pois se apura nele</em></p>
<p><em>o gosto das especiarias e frutas cristalizadas.  Também o vinho</em></p>
<p><em>madeira na massa recende melhor depois de alguns dias. San-</em></p>
<p><em>tiago deliciou-se uma nooite dessas ao comê-lo com café, bem</em></p>
<p><em>tarde, depois de ter ficado estudando e lendo até altas horas.</em></p>
<p><em>Tem tido bastante trabalho.  Mas nem por isso deixa de de-</em></p>
<p><em>monstrar seus zelos, por qualquer ninharia, ou de se alfigir</em></p>
<p><em>com o menor gesto que eu faça, a mais ínfima palavra, uma</em></p>
<p><em>insistência qualquer.  Às vezes, basta-lhe que eu pareça indife-</em></p>
<p><em>rente e seus ciúmes se manifestam.  Chega a ter ciúmes de tudo</em></p>
<p><em>e de todos.  Um vizinho, um par de valsa, qualquer homem,</em></p>
<p><em>moço ou maduro, o enche de terror e desconfiança.  Só saio em</em></p>
<p><em>sua companhia, mas mesmo assim se enche de preocupações.</em></p>
<p><em>Perco até a alegria em rir a um teatro ou a um sarau.  A tal</em></p>
<p><em>ponto que ontem eu nem quis acompanhá-lo a uma estréia de</em></p>
<p><em>ópera.  Preferi dizer que tinha adoecido, queixei-me da cabeça</em></p>
<p><em>e do estômago mas insisti para que ele fosse sozinho.  Porém</em></p>
<p><em>não demorou, voltou ao fim do primeiro ato &#8211; o que foi bom,</em></p>
<p><em>pois assim encontrou nosso amigo E., que vinha chegando</em></p>
<p><em>para lhe falar de uns processos.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/vozdecapitu.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/vozdecapitu.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/vozdecapitu.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/vozdecapitu.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/vozdecapitu.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/vozdecapitu.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/vozdecapitu.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/vozdecapitu.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/vozdecapitu.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/vozdecapitu.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/vozdecapitu.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/vozdecapitu.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/vozdecapitu.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/vozdecapitu.wordpress.com/82/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=82&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O pato</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 00:43:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vozdecapitu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 12]]></category>

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		<description><![CDATA[É muito importante que os patos novos fiquem no vinha- d&#8217;alhos de véspera &#8211; e que as frutas só sejam descascadas na hora.  Ensinei este prato a Sancha, mas ela não teve esses cuidados.  Não ficou tão saboroso quanto o que faço.  Por ve- zes, quando estou muito ocupada com os menino, prefiro não servir [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=80&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>É muito importante que os patos novos fiquem no vinha-</em></p>
<p><em>d&#8217;alhos de véspera &#8211; e que as frutas só sejam descascadas na</em></p>
<p><em>hora.  Ensinei este prato a Sancha, mas ela não teve esses</em></p>
<p><em>cuidados.  Não ficou tão saboroso quanto o que faço.  Por ve-</em></p>
<p><em>zes, quando estou muito ocupada com os menino, prefiro não</em></p>
<p><em>servir coisas tão complicadas e que solicitem tanta atenção.</em></p>
<p><em>Ms nem sempre se consegue.  Pode ser que Sancha tenha sido</em></p>
<p><em>um pouco apressada porque estivesse aflita com minha afilha-</em></p>
<p><em>dinha, que amanheceu um pouco constipada.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/vozdecapitu.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/vozdecapitu.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/vozdecapitu.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/vozdecapitu.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/vozdecapitu.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/vozdecapitu.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/vozdecapitu.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/vozdecapitu.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/vozdecapitu.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/vozdecapitu.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/vozdecapitu.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/vozdecapitu.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/vozdecapitu.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/vozdecapitu.wordpress.com/80/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=80&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A mudança de Sancha</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 00:40:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vozdecapitu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 12]]></category>

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		<description><![CDATA[1869 Minha amiga Sancha mudou-se para o Flamengo e agora estamos bem próximas uma da outra.  Fomos jantar lá ontem, e ela nos serviu esse delicioso peixe nevado com creme de cama- rão ao leite de coco, acompanhado de batatas.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=78&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>1869<br />
</em></p>
<p><em>Minha amiga Sancha mudou-se para o Flamengo e agora</em></p>
<p><em>estamos bem próximas uma da outra.  Fomos jantar lá ontem,</em></p>
<p><em>e ela nos serviu esse delicioso peixe nevado com creme de cama-</em></p>
<p><em>rão ao leite de coco, acompanhado de batatas.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/vozdecapitu.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/vozdecapitu.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/vozdecapitu.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/vozdecapitu.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/vozdecapitu.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/vozdecapitu.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/vozdecapitu.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/vozdecapitu.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/vozdecapitu.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/vozdecapitu.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/vozdecapitu.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/vozdecapitu.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/vozdecapitu.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/vozdecapitu.wordpress.com/78/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=78&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O aniversário</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 00:35:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vozdecapitu</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 10]]></category>

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		<description><![CDATA[Celebramos o dia de anos de Santiago, servindo essa gali- nha-d&#8217;angola assadas ao molho de vinho do Porto, bem cre- moso.  Todos gostaram muito e ficaram cavaqueando até muito tarde.  Sancha cantou uma barcarola que tem feito muito su- cesso no Recife e chega agora até nós, &#8220;O Gondoleiro do Amor&#8221;. Santiago gostou tanto que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vozdecapitu.wordpress.com&amp;blog=4831954&amp;post=76&amp;subd=vozdecapitu&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Celebramos o dia de anos de Santiago, servindo essa gali-</em></p>
<p><em>nha-d&#8217;angola assadas ao molho de vinho do Porto, bem cre-</em></p>
<p><em>moso.  Todos gostaram muito e ficaram cavaqueando até muito</em></p>
<p><em>tarde.  Sancha cantou uma barcarola que tem feito muito su-</em></p>
<p><em>cesso no Recife e chega agora até nós, &#8220;O Gondoleiro do Amor&#8221;.</em></p>
<p><em>Santiago gostou tanto que copiei os versos e os transcrevo aqui.</em></p>
<p><em>Ele passou hoje o dia todo cantarolando a melodia, ou repe-</em></p>
<p><em>tindo as palavras da primeira quadra.  Diz que parece feita</em></p>
<p><em>para mim:</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>Teu olhos são negros, negros</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>Como as noites sem luar&#8230;</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>São ardentes, são profundos,</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>Como o negrume do mar.</em></p>
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